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26/08/2004 14:18

Pedro Bob

Iniciemos com o herói: Pedro Bob. O apelido foi dado por amigos do colégio, que julgavam “Pedro Roberto” afetado demais. Pedro Bob não completou o segundo grau porque começou a tocar violão. “Há bons músicos entre os Bobs”, cogitou quando decidiu pela carreira. Tentara antes o teatro, no qual se destacou interpretando mulheres feias. "Se destacou” é mera indulgência da autora, porque atuou três ou quatro vezes, só porque as meninas, todas candidatas a rainha do colégio, negavam-se a pagar esse mico. Pedro Bob não se importava. Dizia que fazia teatro por sarro e música por amor. Não era compositor, fazia cover de música cabeça: Bob Dylan, Bob Geldof, Roberto Carlos fase “Jesus Cristo eu estou aqui” e Frenéticas. Brincadeirinha, não tocava Frenéticas. Apaixonou-se pela música e pela Lira ao mesmo tempo. Lira: aqui já está na hora de introduzir nossa anti-heroína. Líder negativa, popular, carismática, jogadora de futebol. Vendia docinhos de Leite Moça no recreio, mas nem por isso era um doce. Dizem que não fumava maconha, apesar de mostrar-se aborrecida no início da manhã. Pedro Bob planejou uma exibição de seus dotes musicais na escola, imaginando conquistar a atenção de Lira, que ainda não o tinha visto no palco. “Vai ser solo”, avisou ao colega que se ofereceu para acompanhá-lo com a gaita de boca. Sua propaganda de corpo-a-corpo funcionou: no dia do show, a escola estava em peso no auditório. Tudo ia bem, até ouvir-se um muxoxo na platéia. Iniciou-se um burburinho e Bob ouviu Lira falar: “Toca Frenéticas!”. Os amigos mais abusados, puxados pelo tocador de gaita de boca, aderiram: “Põe uma roupa de mulher” “Te veste de mulher e manda ver Frenéticas”. Pedro Bob não gostou, especialmente porque um improviso era inviável naquele momento. Parou de tocar e berrou: “Vão se fu**”, ali, na frente de todos. Depois disso, ficou meio deprê e pensou em não mais voltar à escola. Durante essa folga, começou a ler um livro de auto-ajuda de sua mãe. Quando terminou, procurou outros, e, lá pelo quinto livro, havia absorvido o estilo. Gostou especialmente de uma frase: “Não acredite em tudo que os outros falam. Prefira jóias verdadeiras às palavras preciosas”. Passou a perceber que muitas das músicas ouvidas mais por acaso que por gosto pareciam com os conselhos dos livros. Até mesmo as das Frenéticas: “eu sei que eu sou bonita e gostosa... eu sou uma fera de pele macia...”. Ei, ele continuava espada, não seja malandrinho. Foi quando uma letra surgiu em sua cabeça. Uma letra de música de auto-ajuda. Bob copiou-a para o papel e tirou o som no violão. Logo surgiram muitas outras, e ele tornou-se compositor. Ficou rico e famoso, não voltou à escola e curou a dor de cotovelo. Um dia, sua obra foi homenageada em um episódio de Os Normais, quando certo personagem declarou estar compondo músicas de auto-ajuda para crescer na carreira. Moral da história? Até um chute na banda te empurra pra frente.

enviada por A ida






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