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17/06/2008 21:59
e não é que ainda existe?
enviada por A ida
13/10/2005 21:18
Amigo,
Mudei-me. E já tem alguma coisa na casa nova.
Visite-me!
http://ociofecundo.zip.net/
Obrigada,
beijos
enviada por A ida
14/07/2005 16:43
Calo
Bom, se você quer dar risada, vá assistir ao Jornal ou à TV Senado, porque eu vou falar de um assunto sério. Nada de malas, cuecas, nervos de aço ou lingeries subfaturadas aqui, meu bem.
Pois ontem no consultório médico, eu estava lendo uma VEJA vencida (ceninha mais que corriqueira essa, hein?), e lá tinha (cacofonia proposital) uma reportagem sobre os blogs. Falava da elite dos blogueiros, geralmente jornalistas freelancers, ou seja, a classe média-baixa do campo jornalístico. Então pensei que isso que é bom nessa vida, os que estão por baixo em um campo, estão por cima em outro. Por outro lado, quem não é jornalista, como eu, tem que fazer um baita esforço pra manter um blog, porque pra tudo na vida tem que ter o "calo".
enviada por A ida
07/06/2005 23:04
Com promisso
"Não sou cortesão, moderador, tribuno ou defensor do povo, mas povo". (Robespierre, 1791)
enviada por A ida
15/04/2005 12:14
Cidadezinha
Uma fachada encardida.
Uma porta de vidro.
Uma boca de dentes quebrados querendo devorar meu tempo.
Não tenho tempo
para deixar fluir
o pensamento:
chega um papel, um vizinho, uma chamada.
Aqui me aprisiono.
Dificilmente um prédio alto alcança a autenticidade de um prédio baixo.
Goiabeiras perfumadas, sabiás estridentes, um canil desativado.
Um saguão interno. Pé de boldo. Sino.
Os vizinhos emprestam erva para o chimarrão e me acompanham ao café.
Onde está o coração dessa pessoa?
Aqui.
enviada por A ida
16/03/2005 12:02
Oh I want to get away
I want to fly away
yeah yeah yeah
Oh I want to be your
just your backing vocal
yeah yeah yeah
enviada por A ida
01/03/2005 23:18
A realidade existe?
Sem dúvida. Mas é preciso fotografá-la, gravá-la, registrá-la. Mantê-la, de qualquer forma. Pra mostrar pro juiz.
enviada por A ida
18/02/2005 17:02
Escritos Feministas I
Batismo é uma coisa que as igrejas inventaram para menosprezar o nascimento natural, cuja responsabilidade é da mulher, e valorizar o nascimento cultural, que foi o que sobrou para os homens.
Escritos Feministas II (de brinde)
Por que 99% dos comerciais de televisão são narrados por vozes masculinas?
enviada por A ida
17/02/2005 17:41
O que é um clássico?
Aproveito a conexão pra escrever. Hoje comprei um pretinho básico para a formatura da minha irmã mais nova. Sou uma mulher bem resolvida: fui à loja ao acaso e fiz a compra em menos de meia hora.
No chat de literatura eu vivia dizendo que meus clássicos não eram Cervantes, Shakespeare, Camões, mas Durkheim, Weber e Marx. Cada qual com o clássico que lhe cabe.
O que faz um clássico ser um clássico? Em primeiro lugar, ele nos poupa tempo. Pra que, por exemplo, perder tempo ouvindo Frejat se você pode ler Baudelaire?
Não sei se Erico Verissimo é um clássico. Não consta entre os top do Harold Bloom (o único brasileiro é o Machado de Assis). Mas lê-lo fez-me ganhar tempo.
O clássico é um cara que fez um grande trabalho para facilitar a nossa vida. O resultado pode ser simples, mas sempre será necessário.
(Preciso trabalhar mais essa idéia, se quiser que esse blog perdure através da história.)
enviada por A ida
12/02/2005 00:33
Rodrigo Terra Cambará
Assim é que é bom escrever. Tremendo no calor da hora. Quase não conseguir escrever. Escrever quase sem pensar. Escrever quase como se fosse um agir.
Estou lendo O Tempo e o Vento com a mesma voracidade com que Rodrigo amava suas mulheres e tudo o mais. Como é que eu não tinha lido isso antes? Eu tinha que ter 35, porque quase todos eles têm 35. Estou ficando até mais perdulária por conta da leitura.
Agora estou em Santa Fé, e o tempo é o início do século XX. Houve um suicídio. Os suicidas, os ciumentos, os quase loucos me fascinam. Os apaixonados, os que se matam por amor. Uma morte na batalha.
Só na ficção.
E tem até uma Ismália!
Ainda não tinha escrito no blog porque sei que vou escrever só sobre isso por um bom tempo. E porque desabafo com outros leitores. Desabafo. Não lembro da última leitura que tenha me dado ganas de desabafar.
(E aproveite também para comprar o DVD da minissérie, que será lançado esse ano do centenário do Erico).
São sete volumes. É muita vida para uma só existência. Sem contar que alguns personagens morrem jovens: a amante suicida, o Capitão Rodrigo.
Ai, como é bom se deixar levar por uma paixão!
Ai, como é bom ter um caderno grandão como esse!
Ai, como é cômico ser dramático!
enviada por A ida
28/01/2005 02:33
Pô... é sério mesmo? Você continua aqui?
enviada por A ida
31/12/2004 11:35
A cidade está tão vazia que falta até mesmo inspiração pra escrever uma mensagem de final/início de ano. O que fazer agora, nos 46 minutos do segundo tempo? Direi que entraremos em férias e que reitero (perdão pela palavra burocrática, é que ainda estou no trabalho) os votos enviados por e-mail, scrap e essas coisas que mamma grizonha não entende direito, ou seja:
Feliz 2005! Muita saúde, paz, alegria, bala de goma, beijo, churrasco, Érico Veríssimo, banho quentinho e sorriso.
Beijão!
enviada por A ida
23/11/2004 16:02
Estudo "violência e crime" há uns 15 anos, desde a época em que o "trabalho enquanto categoria sociológica" entrava em crise. Estou pensando em abandonar esse objeto de estudo, por dois motivos: está muito "surrado" e meu médico recomendou. Gostaria de estudar algo mais pra cima. Então, esses dias ouvi a notícia de que as pequenas empresas chefiadas por mulheres têm crescido muito, algo como 100% em dois anos. Maravilha! Essa deve ser a melhor notícia para nós, mulheres, desde a invenção da pílula. Mulher empreendedora é o que há, livre de qualquer tipo de patrão: marido, chefe e o escambau. O melhor de tudo será minha pesquisa de campo: aposto que elas adorarão dar entrevista sobre o seu negócio. Sem contar que ganharei várias peças artesanais, utilidades domésticas e cortes de cabelo.
E você, amiga, é uma empreendedora?
enviada por A ida
18/11/2004 21:17
Hoje não repetirei resmungos sobre o meu tanto de trabalho. Falarei das minhas...
Viagens em torno de uma embalagem de cigarros
No pacote de cigarros, vejo a figura de um rato e de uma barata mortos. Leio que, ao fumarmos, inalamos os mesmos venenos usados para matar esses bichos. Se a intenção da imagem foi desestimular o consumo provocando nojo, errou ao desconsiderar que muitas vezes fumamos por estarmos sentindo nojo. Medo? Da mesma forma.
O que é o Estado? Mesmo os cientistas políticos admitem a dificuldade de defini-lo. Pode ser algo tão abstrato quanto a sociedade, o universo, a justiça ou o próton. Mas ele esta´bem perto de mim, e aparece de três formas (no mínimo)na minha embalagem de cigarros: como ministério da saúde que adverte, como selinho de IPI que informa o tanto que pago de imposto ao comprá-la, como a lei proibindo a sua venda a menores. O Estado é uma droga.
enviada por A ida
12/11/2004 21:56
Japonês tem quatro filhos
Quando comecei a ir pra aula, lá por 74, tínhamos que conhecer os hinos brasileiros, você sabe porquê, mas não podíamos cantá-los na frente de casa à noite, você sabe porquê. Acredito que até hoje sejam obrigatoriamente ensinados nas escolas, assim como obrigatoriamente todo funcionário público rio-grandense deve conhecer de cor o Hino Rio-grandense, pois há uma lei que o exige, apesar de não haver quem o cobre. De qualquer forma, não entendemos a maior parte das coisas existentes, conformo-me.
Mas nunca me conformei com uma passagem contraditória de um desses hinos brasileiros, algo como o fim do nosso ideal. Como minha memória referente a horas cívicas é muito fraca, recorri à pesquisa na internet e encontrei a estrofe. É da Canção do Exército:
"Em nosso valor se encerra
Toda a esperança
Que um povo alcança."
Já não aceitei em 1974, e continuo não aceitando que o valor dos nossos soldados acabe com todas as esperanças alcançadas por nosso povo. Encerrar não é acabar?
É claro que, para aceitar ou não alguma coisa, é preciso entendê-la. A Canção do Exército tem um nível mediano de facilidade, como você pode constatar na seguinte estrofe, à exceção do fulge, que requer uma certa intimidade com o dicionário:
"Nós somos da Pátria a guarda,
Fiéis soldados,
Por ela amados.
Nas cores de nossa farda
Rebrilha a glória,
Fulge a vitória."
Assim fica fácil não aceitar alguma coisa.
Repare agora no Hino da Independência:
"Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil..."
Na 3ª série, não havia Cristo que nos convencesse a não cantar forjavam, assim, no plural.
E o Hino da Proclamação da República, então?
"Seja um pálio de luz desdobrado,
Sob a larga amplidão destes céus.
Este canto rebel, que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!"
Incompreensíveis. Trinta anos de incompreensão. Muito me admira que entre os brasileiros haja tantos independentes e defensores da República, e tão poucos soldados.
enviada por A ida
11/11/2004 22:39
Fatores de aumento da importância do blog na vida de uma pessoa:
Hoje eu estava ouvindo a rádio Gaúcha enquanto tomava banho, como faço todos os dias. A morte do Arafat era a notícia principal, mas a secundária despertou um instante de inocência em mim: o Ministro Dirceu seria o representante do Brasil no enterro.
- Puxa, - pensei, que chato ir a um enterro sozinho...
enviada por A ida
10/11/2004 13:16
Após alguns meses, consegui finalmente listar os ...
Fatores de declínio da importância do blog na vida de uma pessoa:
- Trabalho extra
- Estudo árduo
- DVD player novo
- Eleições áridas
- Tendinite antiga
- Mobília nova
- Afilhado novo
- Trabalho velho
- Escolhas velhas
enviada por A ida
28/09/2004 12:19
dupla
Tira bom e tira mau funciona.
enviada por A ida
23/09/2004 23:14
saudades do blog
Amanhã, a essa hora, estarei em um quarto de hotel, a uns 150 km daqui, sozinha, bebendo uma batida de banana ou de mamão, comendo um misto quente, procurando colchas no armário, regulando o chuveiro, vendo um filme no SBT, fumando e pensando onde havia deixado minha cabeça quando aceitei mais um trabalho que se estende das 17 de sexta às 16 de sábado.
Cogitarei que não é tão difícil assim ganhar na mega-sena, que não é tão ruim assim trabalhar 55 horas em uma semana, que o curso afinal está terminando e que no sábado só aplicarei prova.
Lembrarei do que os alunos falaram na aula, ligarei para a recepção perguntando se tem festa no hotel, desligarei a luz.
enviada por A ida
27/08/2004 16:44
Meus colegas adoram contar o causo de um auto de apreensão no qual um ímpio policial registrou o resgate de um crucifixo da marca INRI. Sei que os policiais ganham pouco e se **dem, assim como eu e, talvez, você, mas devem se divertir bastante. As histórias que têm pra contar encheriam livros. Pois descobri um blog sobre ocorrências policiais curiosas: Positivo e operante. Enquanto não encontro o livro, vou lendo o blog.
enviada por A ida
26/08/2004 14:18
Pedro Bob
Iniciemos com o herói: Pedro Bob. O apelido foi dado por amigos do colégio, que julgavam Pedro Roberto afetado demais. Pedro Bob não completou o segundo grau porque começou a tocar violão. Há bons músicos entre os Bobs, cogitou quando decidiu pela carreira. Tentara antes o teatro, no qual se destacou interpretando mulheres feias. "Se destacou é mera indulgência da autora, porque atuou três ou quatro vezes, só porque as meninas, todas candidatas a rainha do colégio, negavam-se a pagar esse mico. Pedro Bob não se importava. Dizia que fazia teatro por sarro e música por amor. Não era compositor, fazia cover de música cabeça: Bob Dylan, Bob Geldof, Roberto Carlos fase Jesus Cristo eu estou aqui e Frenéticas. Brincadeirinha, não tocava Frenéticas. Apaixonou-se pela música e pela Lira ao mesmo tempo. Lira: aqui já está na hora de introduzir nossa anti-heroína. Líder negativa, popular, carismática, jogadora de futebol. Vendia docinhos de Leite Moça no recreio, mas nem por isso era um doce. Dizem que não fumava maconha, apesar de mostrar-se aborrecida no início da manhã. Pedro Bob planejou uma exibição de seus dotes musicais na escola, imaginando conquistar a atenção de Lira, que ainda não o tinha visto no palco. Vai ser solo, avisou ao colega que se ofereceu para acompanhá-lo com a gaita de boca. Sua propaganda de corpo-a-corpo funcionou: no dia do show, a escola estava em peso no auditório. Tudo ia bem, até ouvir-se um muxoxo na platéia. Iniciou-se um burburinho e Bob ouviu Lira falar: Toca Frenéticas!. Os amigos mais abusados, puxados pelo tocador de gaita de boca, aderiram: Põe uma roupa de mulher Te veste de mulher e manda ver Frenéticas. Pedro Bob não gostou, especialmente porque um improviso era inviável naquele momento. Parou de tocar e berrou: Vão se fu**, ali, na frente de todos. Depois disso, ficou meio deprê e pensou em não mais voltar à escola. Durante essa folga, começou a ler um livro de auto-ajuda de sua mãe. Quando terminou, procurou outros, e, lá pelo quinto livro, havia absorvido o estilo. Gostou especialmente de uma frase: Não acredite em tudo que os outros falam. Prefira jóias verdadeiras às palavras preciosas. Passou a perceber que muitas das músicas ouvidas mais por acaso que por gosto pareciam com os conselhos dos livros. Até mesmo as das Frenéticas: eu sei que eu sou bonita e gostosa... eu sou uma fera de pele macia.... Ei, ele continuava espada, não seja malandrinho. Foi quando uma letra surgiu em sua cabeça. Uma letra de música de auto-ajuda. Bob copiou-a para o papel e tirou o som no violão. Logo surgiram muitas outras, e ele tornou-se compositor. Ficou rico e famoso, não voltou à escola e curou a dor de cotovelo. Um dia, sua obra foi homenageada em um episódio de Os Normais, quando certo personagem declarou estar compondo músicas de auto-ajuda para crescer na carreira. Moral da história? Até um chute na banda te empurra pra frente.
enviada por A ida
22/08/2004 21:47
" "Gente é pra brilhar" "
Primeiro foi o Roger a aparecer em um programa de TV local. Depois a Jacque deu entrevista em um jornal de Santa Catarina. Semana passada, na mesma edição de um jornal aqui do RS, Roger novamente e a Deborabela. Hoje foi a vez da Carol sair no jornal.
Sinto que algum caça-talentos da grande mídia anda vigiando os passos do Sem Pauta.
Caro espião: eu vi primeiro! Aliás, você chegou ao lugar certo. Só tem coisa boa aqui à esquerda.
enviada por A ida
06/08/2004 13:07
Hino Celestial da Sexta-feira
Os anjos desceram
Pediram cachaça
Mas como não tinha
Beberam cerveja
Coro: Brahma, Brahma, Brahma Chopp (2X)
Fonte: Antologia folclórica do Arraial da Glória, século XX
enviada por A ida
05/08/2004 17:50
identidade em crise
Volta e meia um recém-conhecido diz que eu sou a cara dessa moça. Estou prestes a abrir mão da minha aidice só pra atuar na mesma novela que esse malvado...
enviada por A ida
01/08/2004 22:03
Não Seja Mané
Grande Manual de Etiqueta no Namoro
edição masculina
Capítulo final
Caro amigo, parabéns pela paciência de ter lido o manual até o final. A intenção já valeu, mesmo que nada seja entendido nem aplicado. Afinal, a namorada merece sua dedicação, depois de ter relevado com altivez (altivez=nobreza) aquela sua cantada cretina e topado o segundo encontro. Tendo chegado até aqui (no livro, não no namoro), pode-se dizer que você está quase lá!
Há muito tempo você já conhecia os deveres de levar sua lindinha para passear sempre que solicitado e abrir a porta do carro para ela. Consegue deixar a moça escolher o lugar no cinema e disfarça perfeitamente a contrariedade quando ela o convida para visitarem um museu. Está indo muito bem! Você já sabe que não deve esquecer a toalha molhada - bem como qualquer outra coisa molhada - no quarto de dormir da donzela. Já descobriu o lugar da lixeira, do varal e dos porta-copos na casa da prendada. Aprendeu, ainda, que ao descer uma escada, você vai antes dela, e, ao subir, é ela quem vai antes. Questão de lógica e de bom senso, muito antes que de etiqueta, mas sempre vale a pena lembrar. Você está praticamente lapidado e preparado para um namoro bem sucedido, bastam apenas os retoques finais.
Situações sensíveis: o cafezinho estimulante
Você foi buscar a bendita em casa, levou-a a um bom restaurante, aguardou-a escolher a mesa. Puxou a cadeira para acomodar a digníssima e colocou o celular no silencioso. Pediu o mesmo prato que a fofa - peixe, mesmo sabendo que pagaria a conta sozinho, incluindo bebidas e sobremesas. Não lambeu a faca nem a usou para fins diversos daqueles poucos que cumpre em uma refeição. Não interrompeu a simpática enquanto falava e demonstrou atenção perguntando sobre seus familiares e seu trabalho. Desviou o assunto quando a meiga referiu a dieta iniciada na última segunda-feira. Está tudo rolando às mil maravilhas! Então a ardilosa avisa que vai ao banheiro. Você julga o momento perfeito para pedir a conta, pensando que deve poupá-la de abrir a bolsa ou de insinuar de qualquer outra forma disposição para um racha? Errado. Não feche a conta sem antes oferecer à charmosa um cafezinho.
Posfácio
Anunciamos que não reeditaremos o Manual da Etiqueta na Paquera, apesar de ter-se esgotado. Caríssimo, caso você tenha se quebrado já na paquera, enfie a viola no saco e parta para outra. Boa sorte! Tampouco lançaremos o Manual de Etiqueta no Casamento. É porque daí já não tem mais jeito mesmo. Edições de bolso são tecnicamente inviáveis. Desculpe. Obrigada.
enviada por A ida
31/07/2004 12:21
Caro leitor: esse blog minimalizou-se para poupá-lo do cansaço visual provocado pelos postes multicoloridos que se enfileiram diante de seu campo de visão desde o início do mês.
enviada por A ida
26/07/2004 17:43
Depois de anos (pra não dizer décadas) de escola, a pessoa entra em férias mentais nessa época do ano. Então, fica fazendo essas figurinhas aí.
enviada por A ida
18/07/2004 23:13
Expectativa de vida e diversão consentida
Enquanto assistíamos ao programa do Raul Gil, irmã sister II comentou que o filme de maior bilheteria do cinema brasileiro é um dos Trapalhões. Sem desmerecê-los, acho que isso acontece porque os adultos não se permitem muita diversão. Só se for em casa, ou para acompanhar os filhos. Por outro lado, as crianças não podem ir ao cinema desacompanhadas. Lógico. É, talvez seja apenas isso. Ou exatamente o contrário da minha conclusão. Desconsidere o que escrevi até aqui. Vamos tentar salvar esse post. Quem sabe copy & paste ajudem...
Vejamos... alguns tópicos do fórum da comunidade Discussões Infundamentadas do yorkut:
Perguntas babacas de repórteres
Músicas que não são o que você pensa que são
Liquido azul nos comerciais de absorvente e fralda
Pq na última ceia todos sentaram do mesmo lado?
Como a Hello Kit se alimentava se nao tinha boca?
Por que não atiram no queixo do Robocop?
Quem eh murphy?
Pinga congela?
Por que as pombas balançam a cabeça quando andam?
Por que, em novelas, não existe olho mágico?
Alguém aqui já consegui terminar uma caneta BIC?
Por que a maioria das geladeiras são brancas?
Por que ninguém gosta da foto 3X4?
Por que em Roraima os restaurantes fecham pra almoço?
O lobo dos três porquinhos é o mesmo do chapeuzinho vermelho?
Em casa de nudismo existem roupões?
Como se alimentam as mulas-sem-cabeça?
Como as sereias se reproduzem?
Por que essa comunidade perdeu a graça?
Ah! Falando em orkut, a Menina Má deu entrevista sobre o assunto no jornal.
enviada por A ida
16/07/2004 10:08
Polêmica
Enfim uma polêmica interessante no programa Polêmica da Rádio Gaúcha (Porto Alegre, AM 600).
Ofensas, pequenas ameaças durante uma discussão ou destruir determinadas plantas são considerados crime no Brasil. Na sua opinião, transformar todas infrações em crime ajuda no combate à violência?
Eu já tive opiniões diferentes sobre isso.
(Acho que esse foi o meu primeiro post matinal)
enviada por A ida
15/07/2004 17:49
Um sério ser político só
Ontem, depois de ter assistido, finalmente, a Tiros em Columbine, presenciado uma chuva de granizo e avaliado que já gozo de certa respeitabilidade e reconhecimento no yorkut, decidi criar lá uma comunidade virtual: EU QUERO VOTAR PRA PRESIDENTE DOS EUA.
Estimulada pela certeza de que alcançaria glória imediata e meu primeiro milhão com a idéia, não poupei esforços: fiz a minha conexão de escada, entrei no site, digitei a senha e dei três pulinhos. Missão abortada: na caixinha só coube QUERO VOTAR PRA PRESIDENTE DOS. Tentei algumas alternativas, mas todas restaram deselegantes. E a mim, eventual cidadã globalizada cheia de razão promotora da democracia interplanetária, restou queixar-me aqui no blog.
enviada por A ida
02/07/2004 19:46
Maravilhas
Hoje é Sexta-feira, a lua está esplêndida e faz calor. Que mais poderia eu querer da vida? Conseguir os programas Celestia e Cartes du Ciel.
***
É vasta a pequenez do meu universo. Tenho três recipientes para moedas:
O primeiro em ordem de aquisição, junto à carteira de cédulas e cartões, fechado com zíper, para moedas até dez centavos.
O segundo, um ex-tubo de filme fotográfico, aberto geralmente apenas diante de parquímetros, para moedas de cinqüenta centavos e um real.
O terceiro, uma bosinha-chaveiro onde cabe também o isqueiro, para fugas ao Xislela depois das quatro horas da tarde, durante a semana.
Não sei como isso tudo começou, mas asseguro que nada foi planejado.
***
Na falta de tampinhas, moedas podem ser utilizadas para experimentos de construção do pensamento abstrato com tampinhas, como o descrito abaixo.
***
A melhor aquisição que fiz na vida, em termos de custo-benefício, foi a de um remédio para dor. A segunda melhor, a de um terno preto.
***
Trabalho fora há quinze anos, de modo que já estou programada para me dar conta do início do final de semana toda Sexta-feira às 21 horas.
***
Mudaria radicalmente de vida se abrisse uma fábrica de embalagens em Paraí.
***
enviada por A ida
28/06/2004 12:30
Como acalmar uma criança de seis anos num aniversário de adultos
Espere a criança recolher pelo menos umas oito tampinhas de cerveja. A seguir, peça para a tampinha contar as tampinhas. Depois, esconda algumas e pergunte quantas faltam pra completar as oito. Quando ela acertar, mostre o número de tampinhas escondidas e peça que conte. Demonstre o acerto da tampinha e seu entusiasmo, com palmas e um êeeee!! A seguir, repita com números diferentes de tampinhas escondidas. Garanto meia hora de sossego.
enviada por A ida
23/06/2004 15:33
Um ser político
Gostaria de ter escrito algumas linhas a respeito do falecimento do Tio Briza, mas você já leu o que queria ter lido nos jornais. O que posso acrescentar? Que meu irmão tem uma foto ao lado dele, quando foi paraninfo de uma turma de formandos em Engenharia? Que eu descobri há muito tempo que não sirvo pra política (ou que a política não me serve)? E é só.
enviada por A ida
24/05/2004 22:03
Taxitramas
Quem nunca achou que taxistas têm muita história pra contar e lamentou que não sejam muito dados às letras? Pois hoje dei de cara com o blog de um: http://www.taxitramas.blogger.com.br/. O cara é divertido e boa gente, deu pra perceber. Seu blog foi indicado no no minimo e ele mantém uma coluna no Diário Gaúcho. (O Diário Gaúcho é um jornal que a classe média portoalegrense só não odeia mais porque não lê, mas sei que é muito bom porque foi através dele que uma moça que trabalha no meu prédio conseguiu um marido. O "No Minimo" dispensa maiores apresentações. Isto posto, deu pra ver que o cara agrada gregos e troianos, só para mencionar a atual agenda cinematográfica, sendo que diversas instâncias de consagração o consagram.)
Então lembrei que já quis fazer uma tese sobre policiais escritores. Esses também devem ter muita história pra contar, e, há dias atrás aqui em POA, foram lançados um livro de poesias e outro de contos, escritos por policiais: "O Outro lado da Insígnia" e "O Outro Lado da Farda". Sim, deve ter mais de um na Academia Rio-grandense de Letras.
E lá venho eu com meu cacoete de relacionar isso com guerra dos sexos. Considero curioso porque são profissões masculinas - por enquanto -, e escrever parece estar mais na área da sensibilidade etc.
Já pensei que uma das formas de revitalizar esse blog seria escrever o que se passa enquanto dirijo. Pelo menos faria algo útil nos engarrafamentos. O problema é lembrar do que pensei assim que pudesse trocar o volante por teclado ou caneta. Hoje pensei em escrever sobre coisas curiosas que me aconteceram dentro de um táxi.
Uma vez, eu estava viajando com um E.T. pelo Brasil, e pegamos um táxi para voltarmos ao hotel. O E.T. encontrava-se há três dias na Terra, em uma visita científica. Poderíamos ter voltado a pé, mas o E.T. estava cansado. O taxista contou que era também vendedor do Candeias, que às vezes precisava ir pra outra cidade fechar negócios. Então o E.T. perguntou quanto tempo, em média, o taxista ficava longe de casa. O taxista respondeu que, no máximo, quatro dias, senão a esposa chiava, a filha chorava e o cachorro adoecia. No dia seguinte, o E.T. resolveu voltar pra casa.
enviada por A ida
08/05/2004 15:11
Casei com meu massagista
Minha pele é o maior órgão do meu corpo. Deve ter mais funções do que imagino. Um continente. A pele do meu rosto fica vermelha quando estou constrangida. Coro quando corro. Expressa minha pressa. Apela por descanso. Guarda os outros órgãos, o interior. Uma fronteira. Alfândega, ponto de trocas. Dá e recebe. Respira, inspira. Sente. Aprecia água quente no inverno, água fria no verão. Amanhece macia no inverno. Gosta de ser chicoteada pela correnteza dos rios, pelas ondas dos mares. Pelo vento. Gosta de línguas, lábios e mãos alheias.
Minha pele é diferente da sua. Existem mais de seis bilhões de cores de peles diferentes entre os seres humanos.
Eu tive três namorados. O primeiro era mágico. O segundo tocava violão. O terceiro é ele.
Nunca ganhei um jogo de cartas do mágico. Nem mesmo depois de conhecer sua habilidade com as mãos, pois a partir daí nunca mais jogamos cartas. Comecei a duvidar do meu azar. Um dia, pedi a ele que adivinhasse a carta que eu havia tirado do monte. Ele não descobriu, mas caiu no meu truque. Fez várias brincadeiras com cartas, adivinhou todas as que subtraí do monte e eu descobri que era mágico. Descartei.
Desconsolada, procurei um homem sensível. Encontrei um músico. Um tocador de violão. Tinha uma bela voz e habilidade com as mãos. Cantava em outras línguas. Tinha bom ouvido, mas não me ouvia. Um dia, deixou de tocar meu coração.
Então, precisei relaxar. Contratei os serviços de um massagista. Em uma semana, ele passou a massagear um eu gosto de ti nas minhas costas. Fiz que não senti. Na segunda semana, tocou um eu te amo. Tremi, suei frio. Minha pele acreditou.
enviada por A ida
16/04/2004 11:16
As temperaturas altas e os sorrisos prosseguem nesse abril febril.
beijos!
enviada por A ida
19/03/2004 13:42
Outono em Porto Alegre tem dessas coisas...
enviada por A ida
12/02/2004 20:06
Conselho II
Humm, entrei em 2004 muito aconselhativa. Quiçá exortativa. Esse vai pras minhas filhas, sobrinhas e netas. Não as tenho ainda, mas quero registrar aqui para que não digam depois, em meio a soluços, que o conselho foi improvisado e estou de má vontade. Pois quando começarem a se queixar "deles", a dizer que fulano não ligou, beltrano foi visto com outra, ciclano é um mala, cantarolarei:
Moça donzela não arrenega um bom coco
nem a mãe dela, nem as tias, nem a madrinha.
Num coco tô com quem faz muito e acha pouco.
Em rala-rala é que se educa a molhadinha.
Se tu não peca, meu bem, cai a peteca, neném,
vira polícia da xereca da vizinha.
Se tu se guarda e não tem
tá encruada que nem ovo no cu da galinha.
Não tem cinismo que diz: entre a santa e a meretriz
só muda a forma com que as duas se arreganha.
Eu só me queixo se me criar teia de aranha.
Quem nega tá de manha ou faz pouco que gozou.
No tempo que eu casei de véu com meu marido
era virgem no ouvido e ele nunca reclamou.
Pra ser sincera, eu acho que isso inté facilitou...
Guinga e Aldir Blanc, O Coco do Coco
enviada por A ida
12/01/2004 23:25
Cuide bem do seu baiacu
Não é o Nemo. Eu nem sei se o Nemo é o azul ou o laranja. Continue procurando, se quiser encontrá-lo. E esse é meu último imperativo nesse texto. Pensei em fazer um texto de ano novo repleto de desejos e imperativos: seja feliz, faça amor, não faça a guerra, beba mais água, coma mais pepinos, leia o Sem Pauta, saia da frente do computador e dê uma caminhada, ouça seu coração, ouça seu amor, ouça Rap, use filtro solar, dance, use Havaianas, assista Tangos e Tragédias, não me inveje, trabalhe, ame tudo o que é seu, preserve o meio ambiente, lute pela paz, nade... Muitos, mas fico apenas com o do título, pra preservar sua saúde ovariana (ou algo análogo, conforme o caso).
O baiacu, como haverão de saber os amáveis leitores, é o nome popular de alguns peixes aqui no Brasil (ou pelo menos em Itaparica; Itaparica é Brasil), geralmente da desagradável família dos tetradontídeos. Para ser mais claro, trata-se de um vulgar actinopterígio, teleósteo, da ordem dos plectógnatos, da já mencionada família tetradontídea e, julgo eu, na maior parte dos casos, é um exemplar da espécie em que Lineu tacou o nome de Lagocephalus laevigatus. Não sei por quê. Lineu tinha dessas coisas. Qualquer um que já viu um baiacu percebe logo que ele não pode ser um Lagocephalus e muito menos um laevígatus.
João Ubaldo Ribeiro, Arte e Ciência de Roubar Galinha, Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, p. 45. Os Comedores de Baiacu.
(Que covardia! O João Ubaldo me furou nesse papo de baiacu...)
Não lembro se o baiacu é um peixe de água doce, e isso seria o mínimo a saber sobre peixes, mas me disseram que infla quando estressado, como uma série de outros animais, que dão um jeitinho para aparentarem uma coisa maior do que realmente são nessas situações de conflito. Mas o mais interessante do baiacu é que, do ponto de vista antropológico, seu código genético é parecidíssimo com o do humano. Isso, amiguinho, nossa distância do baiacu é mínima. Pode-se afirmar, inclusive, que boa parte dos nossos comportamentos impensados, descontrolados e selvagens são devidos ao nosso baiacu adormecido. Algo como o que a psicanálise denominou inconsciente. Volta e meia ele aflora e... já era. Podemos cometer desde um inocente ato falo, ops, ato falho, ou atrocidades mais graves, como expormo-nos ao sol sem filtro solar ou apaixonarmo-nos pela pessoa errada etc. A vida selvagem, certamente, era pura emoção, e ainda está presente no nosso self, na forma de baiacu. Não, não podemos negar nosso baiacu, ele influencia hodiernamente nossos atos e pensamentos. Ainda precisamos de emoção, sentir nossas terminações nervosas ou algo parecido à flor da pele. Baiacu tem nervos? Bom pro baiacu, cujos únicos neurônios são o tico e o teco, como predominância, certamente, do primeiro. Nós somos civilizados, os descontentes, por culpa da imensa necessidade de vida social e de regras. Irônico, porque o baiacu, tão importante em nossa evolução e apesar da proximidade como nosso código genético, não tem nada a ver com as regras. Enfim, apesar da importância e das dificuldades causadas pelas regras, temos que reconhecer o imenso valor do nosso baiacu interior, dar atenção a ele, levar uma vida mais saudável, próxima à natureza, consumir menos farinha branca, ser menos enfezados, livrar-nos das coisas que guardamos e que já cumpriram seu papel na nossa existência (esse papo é bem de novo ano, ou nova era...). Se não, ele pode inflar para parecer maior do que é, sabe como é, baiacu é meio feminino, selvagem, imprevisível, e pode causar uma série de transtornos. Quem avisa amigo é.
(Créditos: M.M.)
enviada por A ida
24/12/2003 12:18
enviada por A ida
08/12/2003 20:54
Minha Luta
Quando eu for eleita, implementarei (ou implantarei, ou institucionalizarei, ou, simplesmente, cobrarei) o IPR Imposto sobre Produtos Refinados. Sei que desde o tempo do Zaqueu a cobrança de mais impostos é impopular e não recomendável como plataforma de campanha, mas um governante polêmico nunca é esquecido. O bem-estar da civilização justifica os meios. O IPR recairia ou incidiria sobre todos esses produtos industrializados e altamente refinados, como o açúcar união e o sal cisne, responsáveis diretos pela epidemia de doenças cardíacas que assola a humanidade e impede que a nossa expectativa de vida seja de 120 anos. A receita advinda do IPR iria direto para o FNPP Fundo Nacional para o Plantio de Pepinos, que financiaria, obviamente, os plantadores de pepinos, de arroz integral e de outros cereais integrais, e nem por isso deixaria de ser chamado de FNPP, em função da sonoridade da sigla e porque o pepino seria, verdadeiramente, o carro-chefe do nosso governo. O fundo seria usado também para a contratação de técnicos que fariam laudos nas plantações, verificando se o cereal plantado é mesmo integral e se o pepino é mais ou menos livre de agrotóxicos. Monitoraríamos indicadores correlacionando volume da safra de pepinos e de grãos integrais e volume de pacientes de doenças cardíacas, exceto os amantes apaixonados e afins. Expectativa de vida também, mesmo considerando 120 anos um período, definitivamente, bastante longo. (Por que usamos adjetivos espaciais para substantivos temporais?). Certamente os números garantiriam apoio massivo às nossas iniciativas. Certificaríamos com alguma ISO os pepinos de qualidade e premiaríamos com um Top of Mind aqueles que não saem da cabeça do povo.
O slogan é que ainda não está muito bom: Ame seu coração, promova o bem-estar da civilização, coma pepino de montão, mas sem sal. Alguma sugestão?
enviada por A ida
27/11/2003 22:49
Essa é a Lalá, esfuziante no dia do seu aniversário, segunda passada. Uma sagitariana típica. Ainda bem que eu tenho ascendente em sagitário.
enviada por A ida
25/11/2003 20:54
hai kai erótico
tou cansada
tou na TPM
pode chegar tarde
mas traz um sorvete de creme
enviada por A ida
25/11/2003 19:57
eu amo muito tudo isso
Parar aqui representaria abandonar-nos ao ´prazer de desiludir` de que falava Virgínia Woolf (prazer que faz parte, sem dúvida, das satisfações por vezes sub-repticamente buscadas pela sociologia (Bourdieu, A Dominação Masculina). (Ninguém acredita na existência desse livro, né? Pois vão procurar no google)
Acredito que quem escreve acredita em algumas coisas. Tem alguma fé. Bourdieu e Virgínia Woolf tinham alguma fé. Agora eles têm apenas fãs.
Eu, como quero continuar escrevendo, acho que tenho algumas fés. Pensei apenas em deixar de ser ópera e assumir meu lado rap. Nêga Grizza. Fazer o rap do pintassilgo (créditos: Nemo). Tudo bem, acho que seria um pouco frustrante, mas nada como a originalidade.
Aguarde!
Aguarde nada. Na próxima faço um conto erótico.
enviada por A ida
19/11/2003 19:56
Pureza e Perigo¹
Todo mundo sabe que, no princípio, a distribuição das pessoas nas classes sociais era bem mais eqüitativa do que hoje em dia. Não se falava em pirâmide social, só em um megaempreendimento lá no Egito, e a figura geométrica que melhor representava a distribuição era o quadrado, que tem todos os lados, principalmente o de baixo e o de cima. Na verdade, até hoje a civilização Sambaqui retrata a sociedade dessa forma, o que comprova minha teoria. Antigamente, então, as proporções de ricos e pobres eram parecidas, e não essa vergonheira de hoje. Todos corriam, comiam, bebiam, vestiam, trabalhavam, transavam e morriam de forma semelhante. Então, um dia, alguém inventou a moagem dos cereais. Isso ocorreu em data imprecisa, mas certamente um pouco depois da invenção da roda, já que ela é exigida pelo moinho. A moagem servia para purificar os cereais, porque a purificação havia se transformado em moda na alta corte. Todos queriam ser puros e alvos como as nuvens e as demais criaturas celestes. Aliás, a alta corte levou muito a sério essa coisa de purificação e passou, inclusive, a descascar as frutas. A coisa foi-se desenvolvendo até que as frutas foram finalmente excluídas do cardápio, pois eram consideradas coloridas e perfumadas demais. Logo a baixa corte também passou a adotar esse novo estilo de vida. A vida dos ricos, nem por isso, ficou sem sal. Ao contrário, alimentos sem casca e etc precisavam de muito mais sal para serem palatáveis. Além disso, considerava-se o sal um elemento purificador (tudo o que é amargo purifica), o que apresentava uma vantagem a mais na visão da turma.
Mas o marco realmente trágico para os ricos foi a extinção do pepino. O pobre legume passou a ser vítima da implicância só porque lembra um falo. Vemos que, até hoje, ele é associado a coisas ruins. Pois bem. Toda uma sorte de doenças provenientes da ausência do pepino começou a surgir. Pouca coisa se safou, e não foram os aparelhos digestivos nem circulatórios do pobres nobres. Começaram a morrer cedo, antes mesmo da idade repodutiva se bem que eles não estavam se reproduzindo muito por conta da tal onda de purificação. Quanto mais branco o prato deles ficava, com menor número de componentes a classe contava. Até que a coisa toda resultou nessa pirâmide social atual bem conhecida por nós.
¹ O título eu copiei do livro Pureza e perigo da Mary Douglas, mas a idéia é todinha minha.
enviada por A ida
12/11/2003 19:28
Pesquisa
Você tem arma de fogo? Por quê?
Estou fazendo um projeto de pesquisa sobre isso, e, pra variar, que sociólogo é tudo metido, ou em tudo metido, encontrei alguns trabalhos sociológicos sobre esse "objeto", no sentido literal da palavra.
Então tenho que postar, porque não consegui encaixar no projeto a seguinte frase: "Pode parecer curioso falar sociologicamente sobre um objeto - no sentido literal do termo , a arma de fogo." Sem gracinhas.
É claro que o objeto da pesquisa não é a arma em si, mas os valores e significados a ela associados e blábláblá, já que os objetos, especialmente os manufaturados, só existem porque existiram antes na cabeça de alguém. Isso é totalmente válido para objetos de pesquisa.
Falando nisso, tenho muitos posts na cabeça, mas pouca ocasião para sentar e escrever. Culpa da farra da mudança da mamma, da farra de ter que terminar esse projeto até sexta-feira, da farra da Bienal e da farra da feira do livro. A propósito, olha que delícia encontrei lá:
No descomeço era o verbo
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que á a voz de fazer
nascimentos-
O verbo tem que pegar delírio.
(Manoel de Barros)
enviada por A ida
29/10/2003 22:34
Jotabe´s Fotolog
Experimente Ausentes.
Nunca estive em Ausentes. Desta vez, portanto, não farei um relato de viagem. Tudo o que sei sobre Ausentes me foi contado por um amigo através de uma carta. Contado não é a palavra certa, e logo você saberá porquê. Nem nem sempre se quer o que se escreve, assim como sempre se escreve o que se quer.
Ocorreu que, sob a carta a mim endereçada, colorida pela letra azul da caneta do amigo, havia outra, na forma de sulcos de letras incolores no papel. Antes de escrever a mim, o amigo escrevera, no mesmo bloco, a outra pessoa. Assim, o relato a respeito de Ausentes me foi revelado por meio de trabalhosa manipulação da luz de uma vela.
Os aspectos físicos de Ausentes indicam tratar-se de uma cidade curiosa. Lá, o ar não pode ser pego, apesar de ninguém sobreviver sem ele. O fogo, em Ausentes, só persiste enquanto o objeto queimado também durar, e ninguém entende esse ímpeto auto-destrutivo do fogo. Quando está nublado em Ausentes, as estrelas não podem ser experimentadas e a lua não pode ser vista. Se está nublado e a lua está na fase Nova, ela fica duplamente encoberta. A coincidência de duas circunstâncias escondedoras torna qualquer objeto duplamente oculto. Há quem diga que não é a lua a encobrir-se, mas a própria Ausentes.
Quando se caminha pelas ruas de Ausentes, acontece geralmente de a visão chegar no lugar pisado antes do que o pé. Assim também quando um balão estoura. O barulho chega antes aos ouvidos do que a imagem do balão estourado à visão. Em Ausentes, perde-se fios de cabelo sem se notar. Já os cílios perdidos são notados. Lá, uma escada de cinco degraus, se vista de cima para baixo, tem cinco degraus. Se vista de baixo para cima, também.
As características sociais de Ausentes são igualmente notáveis. Lá, nem só os altos têm altura, nem só os largos têm largura, nem só os gordos têm gordura. Mas apenas os bem-sucedidos têm sucesso e os bem-humorados têm humor. As crianças sabem porque o café quente não é servido em copos, mas não sabem porque a água fria não é servida em xícaras. Raramente formam-se filas nos estabelecimentos comerciais de Ausentes. Mas, quando ocorrem, criam-se logo duas: a das pessoas comuns e a das pessoas que não entram em fila, ou seja, a das VIP Very Important Person.
Em Ausentes, quem tem um negócio nunca tem ócio. Nenhum habitante viu a inflação, mas a maioria sabe quando o preço do pão aumenta.
Nas escolas de Ausentes, os professores fazem a chamada no início da aula. Os alunos ausentes levam uma falta pela má-educação de não responderem ao professor.
Uma vez um habitante de Ausentes perdeu um dedo em uma máquina. A partir daí, todos os demais passaram a notar o dedo faltante do homem.
Inexistem tuberculosos em Ausentes. Mas eles aparecem nas estatísticas e são representados por um zero.
Em Ausentes, as pessoas planejam o futuro e lembram o passado no presente. Talvez isso seja um indício de que lá só exista o presente.
Em Ausentes, nem tudo o que está presente faz sentido. Por causa disso, algumas pessoas procuram por um objeto familiar perdido e, quando se dão conta, ele está no lugar de sempre. Perde-se muita coisa em Ausentes, até mesmo a hora. Até mesmo o tempo. Por outro lado, algumas coisas são sentidas apesar de não serem experimentadas. Como quando toca apenas parte de uma música e um habitante de Ausentes lembra da música por inteiro. Ou quando ele dá apenas uma mordida num pastel e descobre o seu recheio.
Às vezes, as coisas perdem a graça. Quando um habitante de Ausentes realiza um ideal, ocorre o fim deste ideal.
Muito ainda poderia falar sobre essa cidade, mas são fatos ou fenômenos menos importantes e foram esquecidos.
Além do mais, a carta sotoposta revelou não apenas algumas características de Ausentes, mas também de seu escritor, meu amigo. Descobri, além do vigor de sua escrita, que, em Ausentes, uma mulher disse que o amava, mas ele nunca comprovou se ela falava a verdade.
Créditos: I.C. e J.B.
enviada por A ida
26/10/2003 12:00
Abaixo o cós alto!
Caro(a) amigo(a) leitor(a):
Você deve estar achando que não ando postando muita coisa porque me tornei antipática e mesquinha, mas não pense assim. É que, você sabe, eu sou uma pessoa de carne e osso e isso tem lá seus inconvenientes, o que requer tempo e trabalho.
Mas uma motivação superior me mobiliza a voltar às teclas: ajude-me a proibir as calças com cintura alta para homens. Isso. São tantos os rapazes bem-apessoados, bonitos até, inteligentes e cheios de predicados que insistem em usar esse tipo de vestimenta! Uma verdadeira tragédia social.
Quanto ao fundilho, tudo bem, pode ficar como está. Alto ou baixo, cada um usa como quer. Agora, a cintura... por favor!
Se você usa calça de cintura alta pra disfarçar a barriga, vá já fazer uns cem abdominais por dia e diminua a ingestão de cervejas. Cintura alta é imperdoável. Pense bem nisso quando for comprar uma calça nova para o Natal.
Entre nessa!
enviada por A ida
15/10/2003 00:08
Bu
enviada por A ida
12/10/2003 22:34
A vinda de la Lá ou A ida de Aida
Essa história começou bem antes, mas vou contar a partir de sexta-feira passada. A manhã estava ensolarada, após alguns dias sombrios e chuvosos. Eu havia recebido uma notificação do correio no dia anterior, e hesitei em buscar a encomenda, porque o aviso era esperado. Explico: há duas semanas atrás, fui em um churrasco na casa de amigos à noite e, no retorno para casa, dei carona para alguns convidados. O carro ficou pesado, e acabei passando a 55km/h em uma lombada eletrônica cujo limite é 40 durante a maior parte do dia e 60 entre as 22h e as 6h da manhã. Pelo menos isso era o que informavam as placas. Ocorreu que, ao atravessar a lombada, soou um alarme e disparou um flash. Pronto, falei, as placas me sacanearam. Os amigos consolavam-me dizendo que aquilo não passaria de algumas UFIRs e uns pontinhos irrisórios na carteira, que eu não me preocupasse, que ainda sobraria algum para os presentes natalinos. Acabei me conformando com a idéia de que a foto, se nítida, valeria as tais UFIRs, nota sobre nota, já que eu não tenho uma fotografia deles juntos etc. A partir daquela data, passei a esperar o bilhetinho do correio com o correspondente aviso de multa.
Pois bem, voltemos a sexta-feira. O dia estava ensolarado e eu temia estragá-lo com mais uma conta a pagar. Mas a esperança é a última que morre e fui buscar a encomenda. Então, surpresa! A moça não entregou um envelope do DETRAN, mas uma caixa de presentinhos carinhosos e sulfurosos, o que garantiu a poupança de algumas UFIRs, alguns banhos mais demorados, um contente início de fim de semana e a manutenção da crença nas placas, elementos fundamentais na vida de todo ser humano.
Bem, não deu pra explicar o título, deixo para outro post.
enviada por A ida
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